lema do ano

Família Verbum Dei, reaviva o dom de Deus que há em ti (2 Tim 1,6)

“Porque és um povo consagrado ao Senhor, teu Deus, o Senhor, teu Deus, escolheu-te para seres um povo especial entre todos os povos que estão na face da terra, um Povo do Senhor.” Dt 7, 6

Ao ler esta citação percebia que somos um povo escolhido por Deus, mas não deixava de me questionar “Então e os outros?” Via que somos especiais na medida em que recebemos um carisma próprio, de que o mundo precisa, e que também existe um caminho a trilhar para definirmos o nosso lugar e fazer com que os outros vejam que somos do Senhor. No meio de tantas comunidades, tantos grupos, tantos nomes.... Porque temos nós credibilidade? Como pode o mundo saber que somos de Deus? Que até somos pessoas de bem e não de dinheiro, ou de ideologias falsas, que não queremos impingir nada a ninguém? Pensava no surgimento do que são hoje as grandes ordens, como os jesuítas, carmelitas, … Pensava em outros movimentos ou comunidades, como a de Taizé. Todas nasceram de um sonho, de um desejo de alguém, que desde uma relação com Deus se pôs a caminho... e não foi fácil! Mas hoje... vêem-se os frutos... ainda bem que disseram que sim a esse projecto “oculto” de Deus.

Como podemos então mostrar que somos de Deus?

Dt 8, 17-18“Talvez digas no teu coração: ‘Foi a minha própria força, foi o poder do meu braço que me proporcionou esta riqueza. Não! É do Senhor, teu Deus, que deves lembrar-te, porque será Ele que te dará prosperidade, a fim de confirmar, como faz hoje, a aliança que jurou a teus pais.” Não é pela nossa força, pelo nosso poder que podemos mostrar ao mundo a riqueza do nosso carisma, mas pela atitude de reconhecer que Deus nos concede este dom de sermos uma família. Quantas pessoas de tantas culturas, de tantos lugares, com realidades tão diferentes, unidas por um só espírito! Que espírito é esse que nos une? Num mundo tão cheio de casamentos que se desfazem, de grupos que não continuam unidos, de catequistas que desistem de dar catequese... a nossa família mantém-se unida, e cresce, não porque temos mais mérito que os outros, mas porque é Deus que nos confirma. É Ele que faz esta família crescer. No meio de tantos obstáculos que fazem desanimar, Ele diz-nos “É do Senhor, teu Deus, que deves lembrar-te”. Não temos de provar nada a ninguém. Se vivermos nessa relação de confiança, de amor, com o Senhor, os outros verão que temos algo de diferente...

“Vê: ao Senhor, teu Deus, pertencem os céus e os céus dos céus, a terra e tudo quanto nela se encontra.” (Dt 10, 14) Que património este o de Deus! Quantas pessoas não têm assim um património imenso, e que se tornam inatingíveis... não é fácil chegar a pessoas como Obama, ou Bill Gates, ou um cantor qualquer famoso... E “No entanto, foi a teus pais que o Senhor se apegou com amor. Elegeu a sua posteridade depois deles, que sois vós, dentre todos os povos, como hoje vedes.” (Dt 10, 15) Foi precisamente a Jaime Bonet que Deus se apegou, mas não de um jeito qualquer... com amor! E hoje, vemos já essa posteridade que Deus foi elegendo... tantas pessoas, de tantas partes, do meio de tantos povos, católicos, cristãos, muçulmanos, não crentes, Deus escolhe aqueles que quer reunir nesta Família. Quem somos nós para nos fecharmos e não deixarmos entrar aqueles que Deus traz até nós? Como fazem alguns grupos na igreja. Deus traz-nos os que Ele quer... porque Ele vê dentro, e sabe os que O buscam de todo o coração. Via que Deus me advertia também “Acabai, então com a impureza do vosso coração, e não endureçais mais a Vossa cerviz, porque o Senhor vosso Deus é o Deus dos deuses e o Senhor dos deuses, que não faz distinção de pessoas...” (Dt 10, 16-17)

Há muito tempo atrás, Jaime tinha apenas a Palavra de Deus para o guiar, o futuro era incerto, e no entanto, ele entregou-se a essa promessa que Deus fazia ao seu coração, a esse sopro do Espírito que o impelia a caminhar por um caminho desconhecido. Que teria sido se ele tivesse recusado?

Em Os 2, 16-25 Deus falava-me muito ao coração. Também a esta família Ele chama ao deserto, aos momentos de retiro e oração, para nos falar ao coração. Alegra-me perceber que o Senhor nos quer dar algo que nos pertence, que é nossa herança, nosso património também. O Senhor quer fazer uma aliança connosco, em nosso favor, algo que presume que Deus coloque de Sua parte e que nós possamos também colocar algo de nossa parte. Ele quer comprometer-se connosco, porque deseja fazer de nós essa porta de esperança, uma terra bem semeada, que dá bom fruto, e que é propícia a muitos tipos de fruto, “a terra será propícia ao trigo, ao vinho e ao azeite”. São frutos que alimentam e que vêm de uma terra bem aproveitada. O Senhor sabe como aproveitar bem a nossa terra, e deseja poder semeá-la, aproveitando bem tudo o que tem. Um Deus que tem um património tão grande, anseia por vir até nós, até aquilo que possuímos, e semear desde aí, mas não de uma forma qualquer... sereis uma terra bem semeada... e que dá alimento para muitos... mas não um só alimento... vários tipos de alimento! Apesar de o Senhor saber que esta terra não é a melhor das melhores, é precisamente aqui que Ele quer semear, e não numa outra terra qualquer distante ou perfeita... Ele próprio nos diz “acabai com a impureza do vosso coração” (Dt 10, 16). Ao escolher a nossa terra, o Senhor não põe paninhos quentes na realidade, Ele diz-nos a verdade, e pede também que demos algo de nós, que tenhamos consciência do que vai no nosso coração, e que nos empenhemos em tirar as ervas daninhas que destroem a sementeira. E é precisamente por nos amar tanto que nos quer fazer arregaçar as mangas para que possamos também nós trabalhar nessa terra. É um trabalho conjunto. Certamente que Deus não nos quer ver à sombra da bananeira... e por isso nos encoraja a sermos activos, sempre com essa atitude que reconhece que tudo vem do Senhor.

“Bem conheço os desígnios que tenho para vós, desígnios de prosperidade e não de calamidade, de vos garantir um futuro de esperança.” (Jr 29, 11) Que bom ter este sinal de alento, de ânimo. Esta é também a promessa de Deus para nós, hoje, que garante um futuro de esperança, futuro esse que não vemos, nem conhecemos... mas sabemos que é de Deus que vem essa promessa e Ele é inteiramente fiel às suas promessas. O Senhor não nos traz a esta família para os obrigar a estar nela, ou para nos forçar a algo que não queremos. Estamos aqui não só porque Deus reconhece sedes em nós, e quer saciá-las, mas também porque vê que temos algo para dar e que ansiamos por nos podermos dar desde os nossos próprios dons. O Senhor convida-nos a tomarmos consciência de que somos parte desta Família, que formamos de facto esta Família. Ao partilhar connosco os Seus desejos, os Seus sonhos, a Sua Missão, Deus anseia poder contar connosco para estarmos em tantas realidades, para viver nelas e com elas, para sermos o Seu rosto, enquanto Seus Filhos. Em quantas realidades não nos movemos nós? A nossa missão consiste em sermos fiéis a esse chamamento de sermos uma Família que espelha o rosto e o coração de Deus neste mundo.

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