testemunhos
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Fátima |
“Ensina-me, Senhor, o Teu caminho e caminharei na verdade” |
Sempre achei que vim a este mundo para cumprir uma missão, e que a minha presença na Terra haveria de ser grande e deixar marcas. O nome Fátima, com que fui baptizada, adveio não só da previsão do meu nascimento para o dia 13 de Maio mas, acima de tudo, de uma fé profunda e confiança plena em Nossa Senhora de Fátima, por parte dos meus pais, após uma gravidez tardia e de risco, mas feliz. Considero, por isso, ter sido esta a minha primeira batalha vencida e o primeiro sinal de que fui destinada a vir a este mundo para dar testemunho de uma fé que, tal como eu, foi gerada quando ainda estava no ventre materno. (...) Em Setembro de 2005, chega o momento de entrar para a Faculdade e de me preparar para uma “nova” vida, que se apresentava promissora pelo curso e difícil pela distância. Rumei até ao Porto, onde me encontro até então. Escolhi vir morar para um Lar Universitário a cargo da congregação das Escravas da Santa Eucaristia e da Mãe de Deus. Aqui, Jesus, através das irmãs, acolheu-me de braços abertos e penetrou a minha vida de uma maneira diferente. A minha relação com Deus, talvez marcada pela constante saudade dos meus pais e da minha irmã, tornou-se profunda e confidente. Depositava, a cada dia, a minha confiança n’Ele, para que guiasse todos os meus passos e me defendesse de todos os perigos. Nunca me sentia sozinha, porque estava certa de que era Ele quem me ajudava a ultrapassar os temores da distância, através de pequenos gestos, de um olhar carinhoso, de uma palavra amiga, de um abraço consolador das pessoas que diariamente se cruzavam comigo. Uma das primeiras coisas que fiz quando cheguei cá foi localizar uma igreja onde pudesse participar na Eucaristia para, desta forma, não desviar a rota que tinha feito até aqui. (...) Até que, há cerca de dois anos atrás, as coisas começaram a mudar. Uma baixa de vitalidade e uma grande falta de auto-estima (provocadas por um ritmo de trabalho avassalador e por pessoas que deitaram por terra todas as capacidades que eu achava ter) tomaram conta da minha vida e desviaram-me da rota. Perdi-me em caminhos tortuosos, obscuros e sem qualquer indicação através da qual me pudesse orientar e, assim poder retomar o itinerário previsto. Cada mês que passava, a balança denunciava a minha debilidade, física e psíquica. Deixei-me remar pela tristeza profunda, pelo desinteresse, pela intolerância, e atraquei numa anemia que me deixou às portas de uma anorexia nervosa. Isto teve repercussões graves na minha forma de estar na vida, e o meu afastamento de Deus foi sendo cada vez mais evidente. Desacreditei de tudo e de todos... Neste momento, ainda estou a recuperar, mas considero que esta batalha foi a mais difícil de ultrapassar, pois foi aquela em que eu dispensei a ajuda de Deus. Não tomei a Sua mão quando Ele ma deu, voltei-lhe as costas quando Ele corria ao meu encontro de braços abertos e com um sorriso enternecedor, dei-lhe uma bofetada na cara quando Ele de mim só queria um abraço. Que fé vã foi a minha. O que me aconteceu para ter agido de tal forma? Onde é que Deus falhou ao longo da minha vida para merecer tanta indiferença da minha parte? Ele que, até então, me tinha levantado nos momentos mais difíceis (curou-me duma paralisia, devolveu a vida ao meu pai)... porque não Lhe dei oportunidade para que me deixasse levantar mais uma vez? Foi nesta ingratidão que andei a tropessar durante mais de um ano e que perdurou até o 27 Novembro de 2009. Umas semanas antes, fui convidada por várias pessoas da comunidade Verbum Dei (Porto) para participar num Encontro a realizar-se no último fim-de-semana de Novembro. Confesso que este convite deixou-me assombrada, pois que fazia pouco tempo que andava a tentar reencontrar-me com Deus e que até parecia estar a conseguir desde a minha integração nesta comunidade. Contudo, decidi aceitar o desafio. Na sexta feira, quando ía a caminho da Casa do Oasis, em Ermesinde, as expectativas eram muitas, mas as incertezas eram ainda maiores. O encontro com umas pessoas e o reencontro com outras foi-me deixando libertar. Aos poucos, fui-me abstraindo das minhas inquietações e deixei-me envolver por aquele clima apaziguador e fraterno. No sábado, pela manhã, o cantar da viola despertou-nos para um novo dia, todo ele dedicado à oração. Encontrei-me com Deus como nunca me tinha encontrado antes. Falei com Deus como nunca tinha falado antes. Reconciliei-me com Deus como nunca o tinha feito antes. Experimentei o Seu amor como nunca havia experimentado antes. Por entre sucessivos exame de consciência, foram muitas as questões se levantaram: Onde andei todo este tempo? Quem era o Deus que eu conhecia e que agora conheço? Qual seria o rumo da minha vida daqui para a frente se eu não tivesse conhecido Deus como conheci neste fim-de-semana? Que projectos tem Deus para a minha vida e que eu, certamente, iria passar ao lado? Meu Deus... quantas sensações, quantas lágrimas, quantas esperanças, quantas amizades, quanta alegria me deste este fim-de-semana. Pois é, Jesus veio até mim através deste Encontro. Atravessou-se no meu caminho e reconduziu-me à minha rota inicial. Compadeceu-se da minha fraqueza e da minha miséria, deu-me agasalho, saciou-me e levou-me a conhecer onde mora o verdadeiro Amor. Quando lá cheguei, o Amor abriu-me a porta, deixou-me entrar e sussurrou-me baixinho ao ouvido que é tão forte ao ponto de conseguir abalar montanhas. E disse-me ainda que passaria a ser Ele a vir visitar-me, mas deveria estar sempre atenta à porta, pois se estivesse fechada ir-se-ia embora. Perguntei-Lhe como iria saber se era Ele e não outra pessoa. Ele apenas me disse que se eu abrisse a porta a todos quantos se cruzam comigo diariamente e se os deixasse entrar, era a Ele que o faria. Não queria terminar sem antes lançar um desafio, para os crentes e para os cépticos, para os fortes e para os frágeis, para os que constantemente se contagiam pela alegria e para os que facilmente se detêm pela tristeza: experimentem este amor de Deus, que é eterno, mais forte que tudo, que “tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Tomem o sofrimento com os olhos postos na cruz, onde Cristo também sofreu para nossa redenção, e encontrem Nele um modelo de preserverança, esperança e amor. Como viram, foi no sofrimento que Deus veio em meu auxílio e deu-me a Sua misericórdia, e que restituiu o sentido da minha vida.Não temam os dedos apontados, nem as palavras de escárnio. Abram as portas do vosso coração a Cristo como eu o fiz, deixem-se seduzir pelo Seu amor como eu me deixei seduzir, e tornem-se verdadeiros instrumentos de paz e discípulos deste amor infinito e inabalável. Obrigada, Jesus, por fazeres parte da minha vida! |
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Marisa![]() |
Acolhimento, Comunhão, Dom e Reciprocidade, são expressões que me falam do dinamismo que existe em Deus/Amor e caracterizam a pedagogia que me permitiu uma conversão progressiva. Sim, sentir-me acolhida incondicionalmente, descobrir que a minha vida é dom, saborear comunhão com Cristo Ressuscitado, que num pedaço de pão ficou por mim, por ti…,fez nascer em mim uma vontade de dar, de retribuir. |
| Com simplicidade procuro tomar consciência do amor de Deus para comigo. Recordo as maravilhas de Deus, na minha história concreta, para penetrar no sentido mais profundo do que tem sido a minha vida por ter conhecido Jesus. Dou conta que pelo baptismo Ele nos recria e faz de ti, de mim filho(a)! Ele espera que escutemos «tu és meu filho muito amado, em quem coloquei a minha confiança.» Mt 3. A vida de cada dia está constantemente a ser bombardeada, com tentativas de manipulação dos nossos sentimentos e da nossa vontade. E ás vezes sentimos que algo se está a quebrar na nossa auto-estima e auto-confiança. Numa fase em que me experimentava desanimada, e não entendia qual seria o meu lugar na construção de algo melhor, procurei saber que tinha Jesus a dizer a tudo isto. Propus-me participar num retiro (Verbum Dei) e aos poucos fui deixando os meus esquemas, as minhas ideias pré-concebidas, e fui escutando partilhas de oração e vida de pessoas concretas . Aos poucos ia-me preparando para a escuta e nesse dia a Palavra quando tocou o mais profundo de mim, fez-me descer ás águas do rio Jordão (numa composição de lugar), e transportava comigo a minha existência, mas não estava como espectadora, sim como interveniente e protagonista. Aí como que reconheci que Jesus queria dialogar comigo e disse: - Vem , dirijamo-nos ao rio . E eu ia descendo …Depois Jesus perguntou-me: - És feliz? Tua vida está serena? E eu entupi com umas lágrimas que corriam pelo rosto. Depois afirmou: - Ttua vida tem direcção, a tua tarefa é viver como filha amada. E afastando-se um pouco, aproximou-se da água … neste momento pela presença do Espírito Santo pude identificar para mim a Palavra « Tu és meu filho amado» Foi uma oportunidade de mergulhar nas águas da minha verdadeira identidade, senti-me como um recém-nascido que se delicia nas águas do útero materno. E desde aqui experimentei uma liberdade interior, que me permitiu olhar a minha vida de um modo novo: «Se alguém está em Cristo é uma nova criatura» 2Cor 5, 17. Quando penso na minha caminhada, e neste ano Paulino, olho para o seu percurso de vida, de fé, e vejo-o mais humano. Como terá sido a sua conversão? Penso que Saulo, a dada altura do seu percurso, começou a colocar questões essenciais: como será que aqueles cristãos a quem persigo, dão a vida por Jesus, O Cristo? Porque será que não oferecem resistências? E aí abriu um espaço vital para que o Espírito Santo pudesse tocar o seu coração. «Quando um pobre invoca O Senhor, Ele atende-o.» Sl 34. É verdade, esta realidade, Deus só pode entrar na minha, na tua vida, quando abrirmos uma janela bem dentro de nós. E é muito bom saber que Deus não força, mas espera o momento, para nos fazer reconhecer que as leis, os esquemas, as ligaduras, as palas que levamos, nos cegam; nos paralisam, nos fazem cair. Deus quer entrar na nossa vida para nos fazer reconhecer que só o Seu Amor pode transformar-nos, e desde dentro. E se me perguntarem, quem é Cristo para ti, e porque dizes que vive? Direi simplesmente, Cristo é que tirou e tira a minha vida da mediocridade, do vazio e por isso é meu Salvador! Ainda vive, pois experimento que me dá uma capacidade de amar, perdoar, acreditar no outro, que não tenho só pelas minhas forças. Tenho experimentado muitas vezes que o Espírito Santo, esse Amor que circula entre Jesus e Deus, me faz sonhar e dar a vida para que alguns possam descobrir que Jesus é O Tesouro, construir fraternidade, e para que outros façam caminho em direcção á verdadeira identidade. Esta realidade passa por situações muito concretas com rostos , nomes, vidas de pessoas. Quando páro diante desta Palavra duma carta de S. Paulo,nomeadamente Filip 2,1 "Se tem algum valor uma exortação em nome de Cristo, ou um conforto afectuoso, ou uma solidariedade no Espírito, ou algum afecto e compaixão, então fazei com que seja completa a minha alegria: procurai ter os mesmos sentimentos, assumindo o mesmo amor, unidos numa só alma, tendo um só sentimento" Compreendo o que sentiria no seu interior. Paulo existe, vive e ama por e em Cristo, e assim desenvolve laços afectivos com aqueles a quem vai anunciando a Palavra. Paulo deixou que Cristo o transformasse, deixou-se amar. E eu, e tu deixamos que Ele viva? "...nada façais por ambição, nem por vaidade; mas, com humildade, considerai os outros superiores a vós próprios, não tendo cada um em mira os próprios interesses, mas todos e cada um exactamente os interesses dos outros" E esta realidade custa-nos muito - deixar que Jesus nos ame! Reconhecer que necessitamos da Sua qualidade de amor para estar nos lugares onde estamos na nossa profissão, na família, no apostolado. “Só entra em comunhão verdadeira com os irmãos e com o mundo, diz Dom Le Saux, aquele que penetrou dentro de si, até ao centro da sua origem, até ao próprio Deus, até onde no seio do Pai, nasce eternamente o Verbo de Deus, porque os descobriu finalmente, não onde parecem estar mas onde estão de verdade.” Voltando a S.Paulo, homem culto com toda a formação recebida, não deve ter sido fácil a mudança de pensamento de atitude, face á cultura em que viveu vinte e tal anos. Como foi forte e luminoso o encontro de Paulo com Cristo, a ponto de o levar a enfrentar tantos desafios. Como um homem de leis, duro de coração, passa a ser missionário com palavras de caridade e confiança? Paulo experimentou de certo a certeza de que o amor fraterno se enraíza na comunhão da Trindade, daí ser capaz de propor que amemos como Cristo. "... Tende entre vós os mesmos sentimentos, que estão em Cristo Jesus: Ele, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus" A compreensão, o apreço pela vida das pessoas que Deus coloca no meu percurso ,não surge por geração espontânea, mas na medida em que me alimento espiritualmente, em que faço caminho de amizade com Cristo e com a Palavra de Deus. Sim, porque se deixo faltar a qualidade da água que pode dar-me, fico menos bem e vem a queixa, a ansiedade, a falta de paciência .« Todos vós que tendes sede vinde beber desta água.» Is.55 Quero agradecer a Paulo, que me mostrou que a sua disponibilidade para a missão, a preocupação de cuidar as comunidades que ia formando, são frutos que deu e transmitiu de geração em geração, porque os recebeu da árvore da vida , Cristo! Procuremos viver com filho(s) a quem Deus Pai alimenta com o pão eucarístico, e a quem O Espíritu Santo fortalece na missão e a quem Jesus concede o perdão. Trindade Santa, que no meu caminhar quotidiano, procure alimentar-me da Palavra que me recorda e alimenta a dignidade a que Convosco, estou chamada a viver. "O amor de Deus foi derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi concedido" Rm.5,3 |
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